VERÃO. COMO DIRIA O CEGO
Há manhãs como esta, cinzentas e esquisitas, em que as vozes das pessoas nos chegam abafadas da rua e o barulho dos carros (constante, sempre constante)não deixa entrar a luz em casa. Há manhãs em que o corpo ainda não acordou e já se está a vestir para ir cumprir um ritual monótono que nos consumirá a pouca energia que conseguimos apanhar do chão.
E mesmo assim temos sorte. Como um domador que decidiu viver no circo e todas as semanas é obrigado a limpar a jaula e ajudar a desmontar a tenda. Os pesados ferros da tenda.
Vivemos na esperança do vento da estrada.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
24 de junho de 2004
23 de junho de 2004
TRANSPORTEM-ME DAQUI PARA FORA 2
As empresas de transporte de Lisboa resolveram convocar greves conjuntas para 24 e 30 de Junho e ainda para 4 de Julho.
Por uma coincidência inesperada calha mesmo nos dias do jogo Portugal-Inglaterra, das Meias-Finais e da Final.
Onde se prova que a malandragem que finge que trabalha nestas empresas, afinal não é mal intencionada. Aposto como à hora das transmissões estarão todos na rua a manifestarem-se pela manutenção dos seus privilégios.
Não me desapontem, meus senhores...!
As empresas de transporte de Lisboa resolveram convocar greves conjuntas para 24 e 30 de Junho e ainda para 4 de Julho.
Por uma coincidência inesperada calha mesmo nos dias do jogo Portugal-Inglaterra, das Meias-Finais e da Final.
Onde se prova que a malandragem que finge que trabalha nestas empresas, afinal não é mal intencionada. Aposto como à hora das transmissões estarão todos na rua a manifestarem-se pela manutenção dos seus privilégios.
Não me desapontem, meus senhores...!
TRANSPORTEM-ME DAQUI PARA FORA 1
"O Conselho de Ministros deverá(...) aprovar a reestruturação do sistema de transportes públicos em Lisboa, que prevê a discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente".
Ora até que enfim! Enquanto utente, choca-me ver tantas pessoas vestidas de Gucci e Armani a acotovelarem-se na fila do 74. Só ministros e famílias são aos montes.
Este ano, se quiserem ir na Rodoviária para a Caparica já vão pagar mais.
Uma das medidas mais inteligentes e favoráveis a quem anda sempre de autocarro, já tomadas!
"O Conselho de Ministros deverá(...) aprovar a reestruturação do sistema de transportes públicos em Lisboa, que prevê a discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente".
Ora até que enfim! Enquanto utente, choca-me ver tantas pessoas vestidas de Gucci e Armani a acotovelarem-se na fila do 74. Só ministros e famílias são aos montes.
Este ano, se quiserem ir na Rodoviária para a Caparica já vão pagar mais.
Uma das medidas mais inteligentes e favoráveis a quem anda sempre de autocarro, já tomadas!
22 de junho de 2004
PERGUNTO EU
O país está feliz e mobilizadíssimo. O melhor e o pior são visíveis na cara dos portugueses. Ao ver as pessoas que saltavam com o coração na boca e a frase "Somos os máiores", pudemos assistir à partida das caravelas para a Índia e para os Brasis.
Povo, políticos, artistas e vendedoras de pão no Corte Inglês, falam apenas de uma coisa e estão dispostos a fazer o que for preciso para que essa coisa se concretize.
Não seria possível, utilizar essa mesma capacidade de empenho e motivação para causas úteis; algo que fizesse o país sair da mediocridade em que patinha resignado? Sim, europeu é giro e assim..., mas aquilo que projecta os países e a Humanidade será passível de ser igualmente accionado? Mesmo sem bola...?
Pergunto eu...
O país está feliz e mobilizadíssimo. O melhor e o pior são visíveis na cara dos portugueses. Ao ver as pessoas que saltavam com o coração na boca e a frase "Somos os máiores", pudemos assistir à partida das caravelas para a Índia e para os Brasis.
Povo, políticos, artistas e vendedoras de pão no Corte Inglês, falam apenas de uma coisa e estão dispostos a fazer o que for preciso para que essa coisa se concretize.
Não seria possível, utilizar essa mesma capacidade de empenho e motivação para causas úteis; algo que fizesse o país sair da mediocridade em que patinha resignado? Sim, europeu é giro e assim..., mas aquilo que projecta os países e a Humanidade será passível de ser igualmente accionado? Mesmo sem bola...?
Pergunto eu...
21 de junho de 2004
MEA CULPA?
Na tv, uma mãe ansiosa, fala da 11ª exposição de pintura do seu filho. Autista. De 7 anos.
Apesar de "ter dificuldade em reconhecer as temáticas", conseguiu identificar numa série de quadros Luís de Camões e Os Lusíadas. Nesta parte, o Goucha ficou perplexo e tentou saber onde diabo teria o miúdo tomado conhecimento com o poeta imortal... A mãe não desarmou: havia "dois livros grossos sobre os descobrimentos" a segurar a pilha de telas. Além das caravelas que se avistam em "Pocahontas".
Se não fosse trágico, o discurso irrealista da senhora seria patético.
Assim, só nos resta reflectir sobre a forma como encaramos a deficiência e, no caso particularmente complicado do autismo, a forma como se lida com o sentimento de culpa.
Na tv, uma mãe ansiosa, fala da 11ª exposição de pintura do seu filho. Autista. De 7 anos.
Apesar de "ter dificuldade em reconhecer as temáticas", conseguiu identificar numa série de quadros Luís de Camões e Os Lusíadas. Nesta parte, o Goucha ficou perplexo e tentou saber onde diabo teria o miúdo tomado conhecimento com o poeta imortal... A mãe não desarmou: havia "dois livros grossos sobre os descobrimentos" a segurar a pilha de telas. Além das caravelas que se avistam em "Pocahontas".
Se não fosse trágico, o discurso irrealista da senhora seria patético.
Assim, só nos resta reflectir sobre a forma como encaramos a deficiência e, no caso particularmente complicado do autismo, a forma como se lida com o sentimento de culpa.
HORA DE DORMIR
O país já gritou, contente. Por um dia, ou talvez mais, o primeiro-ministro vai suspirar de alívio: os portugueses acham-se mais estimáveis.
O trabalho aguarda depois do sono. A escrita das coisas desejadas terá de esperar, enquanto cavo na horta da calçada as batatas da renda.
Amanhã vou achar-me mais gordo. Ainda menos jovem do que hoje. Um dia a menos para a morte. Mas será por ainda ser cedo e a casa de banho não ter luz natural. É natural.
Os jornais vão falar de coisas que lhes parecem, hoje, importantes. Nenhum falará do céu, do mar ou das plantas, que permanecerão depois de nós desaparecermos.
Ou talvez sim. Os jornais falam pelos cotovelos.
O país já gritou, contente. Por um dia, ou talvez mais, o primeiro-ministro vai suspirar de alívio: os portugueses acham-se mais estimáveis.
O trabalho aguarda depois do sono. A escrita das coisas desejadas terá de esperar, enquanto cavo na horta da calçada as batatas da renda.
Amanhã vou achar-me mais gordo. Ainda menos jovem do que hoje. Um dia a menos para a morte. Mas será por ainda ser cedo e a casa de banho não ter luz natural. É natural.
Os jornais vão falar de coisas que lhes parecem, hoje, importantes. Nenhum falará do céu, do mar ou das plantas, que permanecerão depois de nós desaparecermos.
Ou talvez sim. Os jornais falam pelos cotovelos.
18 de junho de 2004
BREVES (QUE ESTOU ATRASADO)
Estou de saída para a SCRIPT RUN. Durante 24 horas, 20 equipas de argumentistas terão de chegar ao guião final de uma curta metragem, seguindo os passos de uma metodologia sensata. Vou acompanhar, dando o meu melhor, para que eles criem filmes capazes de levar bola preta no Público...
No eléctrico 28, uma mulher decidiu entrar com uma cadelinha ao colo (não era tão pequena como isso, mas levava trela e ia ao colo). O azar foi o guarda-freio estar a entrar de turno e de ter sido admoestado pelo colega que levava o carro de "ser um fraco e de baixar as calças" diante dos problemas. Vá do homem embirrar com o cão e de querer pô-lo (a) e à dona na rua. Esta recusou-se invocando a lei. No eléctrico, as opiniões dividiam-se sendo a mais ouvida a de um jovem africano, que estava na hora de almoço e cheio de fome. E a de um reformado enérgico que berrava pedindo o número do decreto-lei e a explusão canídea. Quinze minutos e uma fila de carros depois, o polícia castigador ainda não tinha aparecido. Fui a pé para casa, mas suponho ter sido mais um exemplo do rigor maravilhoso de um funcionário diligente ("E se ele fizer porcarias é a senhora que vai limpar? Hã'!").
ps: se alguém souber o que diz a lei sobre o transporte de animais nos eléctricos, esclareça-me, já agora.
Ontem estive em tertúlia, para os lados de Santos. A coisa não correu mal. Lá fui encostado à parede com a acusação subentendida de que era impossível não escrever para o público "caso contrário não publicaria". Como se o acto de escrever se compadecesse com os destinos vulgares da coisa impressa. Enfim, opiniões.
Estou de saída para a SCRIPT RUN. Durante 24 horas, 20 equipas de argumentistas terão de chegar ao guião final de uma curta metragem, seguindo os passos de uma metodologia sensata. Vou acompanhar, dando o meu melhor, para que eles criem filmes capazes de levar bola preta no Público...
No eléctrico 28, uma mulher decidiu entrar com uma cadelinha ao colo (não era tão pequena como isso, mas levava trela e ia ao colo). O azar foi o guarda-freio estar a entrar de turno e de ter sido admoestado pelo colega que levava o carro de "ser um fraco e de baixar as calças" diante dos problemas. Vá do homem embirrar com o cão e de querer pô-lo (a) e à dona na rua. Esta recusou-se invocando a lei. No eléctrico, as opiniões dividiam-se sendo a mais ouvida a de um jovem africano, que estava na hora de almoço e cheio de fome. E a de um reformado enérgico que berrava pedindo o número do decreto-lei e a explusão canídea. Quinze minutos e uma fila de carros depois, o polícia castigador ainda não tinha aparecido. Fui a pé para casa, mas suponho ter sido mais um exemplo do rigor maravilhoso de um funcionário diligente ("E se ele fizer porcarias é a senhora que vai limpar? Hã'!").
ps: se alguém souber o que diz a lei sobre o transporte de animais nos eléctricos, esclareça-me, já agora.
Ontem estive em tertúlia, para os lados de Santos. A coisa não correu mal. Lá fui encostado à parede com a acusação subentendida de que era impossível não escrever para o público "caso contrário não publicaria". Como se o acto de escrever se compadecesse com os destinos vulgares da coisa impressa. Enfim, opiniões.
ADEPTOS
Chegados a Inglaterra, alguns adeptos ingleses manifestaram a sua indignação pelo processo que conduziu à sua expulsão.
Um declarou que foi tratado de forma "repugnante", em Albufeira. Terá acrescentado mais tarde, já fora de campo: "mais de metade dos 200 litros de cerveja que me venderam vinha MORNA!!"
Outro estava ofendido por ter sido neutralizado pela polícia em dia de aniversário. Devo dizer que também considero isto um ultrage... Ao menos que lhe afinfassem as bastonadas ao ritmo de "Happy birthday, dear hooooliiiigaannn".
Chegados a Inglaterra, alguns adeptos ingleses manifestaram a sua indignação pelo processo que conduziu à sua expulsão.
Um declarou que foi tratado de forma "repugnante", em Albufeira. Terá acrescentado mais tarde, já fora de campo: "mais de metade dos 200 litros de cerveja que me venderam vinha MORNA!!"
Outro estava ofendido por ter sido neutralizado pela polícia em dia de aniversário. Devo dizer que também considero isto um ultrage... Ao menos que lhe afinfassem as bastonadas ao ritmo de "Happy birthday, dear hooooliiiigaannn".
ARTE
Aquando da detenção do grupo de alegados traficantes de droga, os jornalistas passaram a vida a chamar a atenção para o facto de um ser filho de uma ex-ministra e outra uma ex-mulher de futebolista.
Nem uma palavra sobre a criatividade artística dos polícias que escreveram "PSP" com barras de haxixe. Depois queixam-se da desumanização da polícia...!
Aquando da detenção do grupo de alegados traficantes de droga, os jornalistas passaram a vida a chamar a atenção para o facto de um ser filho de uma ex-ministra e outra uma ex-mulher de futebolista.
Nem uma palavra sobre a criatividade artística dos polícias que escreveram "PSP" com barras de haxixe. Depois queixam-se da desumanização da polícia...!
16 de junho de 2004
BE NICE
Em ANJOS NA AMÉRICA, essa nova série-delírio das 2as feiras, a figura interpretada pelo Al Pacino interpela o advogado jovem (casado com uma tipa que gosta de se meter no frigorífico - o que, a aumentar a temperatura, não é uma má ideia - e dar-se com seres de kispo com gola de pêlo) acusando-o de tentar sempre ser "simpático". Insinua que isso não só não o levará a lado nenhum, como é uma postura acovardada na vida.
Penso muitas vezes nisto. Nas rupturas que se impõem para poder progredir e o respeito que a quase totalidade dos seres humanos nos merece. Uma amiga afastada dir-me-ia que tudo se resolve pela comunicação eficaz. Mas não tenho a certeza se ela já atravessou um matagal com cobras para chegar a uma praia secreta ;)
Em ANJOS NA AMÉRICA, essa nova série-delírio das 2as feiras, a figura interpretada pelo Al Pacino interpela o advogado jovem (casado com uma tipa que gosta de se meter no frigorífico - o que, a aumentar a temperatura, não é uma má ideia - e dar-se com seres de kispo com gola de pêlo) acusando-o de tentar sempre ser "simpático". Insinua que isso não só não o levará a lado nenhum, como é uma postura acovardada na vida.
Penso muitas vezes nisto. Nas rupturas que se impõem para poder progredir e o respeito que a quase totalidade dos seres humanos nos merece. Uma amiga afastada dir-me-ia que tudo se resolve pela comunicação eficaz. Mas não tenho a certeza se ela já atravessou um matagal com cobras para chegar a uma praia secreta ;)
15 de junho de 2004
14 de junho de 2004
EMIGRANTES
Ao ouvi-los no seu entusiasmo pelo Euro português, na forma como os seus filhos se expressam ao telefone, via RTP-Internacional, na língua herdada, vejo sublinhada a evidência de que o amor ao meu país existe mais nos que estão lá fora.É nos emigrantes que Portugal existe. Aquilo que temos de mais genuíno e essencial abandonou-nos há muito. Só pela Saudade lhe avistamos o reflexo.
Ao ouvi-los no seu entusiasmo pelo Euro português, na forma como os seus filhos se expressam ao telefone, via RTP-Internacional, na língua herdada, vejo sublinhada a evidência de que o amor ao meu país existe mais nos que estão lá fora.É nos emigrantes que Portugal existe. Aquilo que temos de mais genuíno e essencial abandonou-nos há muito. Só pela Saudade lhe avistamos o reflexo.
ELEIÇÕES
Foi pena não ter ido mais gente votar (eu, por exemplo) nestas LEGISLATIVAS. Afinal serviu para "mostrar cartão amarelo ao governo", como "aviso à política de descalabro da direita" e como "vitória esmagadora" ou "melhor resultado de sempre"(para o PS e Bloco).
Só não percebi porque insistiram em lhes chamar "Europeias"... Seria por nos situarmos na cauda da referida...?
Foi pena não ter ido mais gente votar (eu, por exemplo) nestas LEGISLATIVAS. Afinal serviu para "mostrar cartão amarelo ao governo", como "aviso à política de descalabro da direita" e como "vitória esmagadora" ou "melhor resultado de sempre"(para o PS e Bloco).
Só não percebi porque insistiram em lhes chamar "Europeias"... Seria por nos situarmos na cauda da referida...?
13 de junho de 2004
É DIFÍCIL FLUTUAR SOBRE O TEJO
Tratar os dias como se fossem eternos.
A vida como se fosse eterna.
Os que amamos, como se fossem anjos sempre prontos a tocar o céu.
Os que amamos, como se fossem plantas frágeis que vivem com os pés no solo pobre.
Tratar os dias como se terminassem em breve.
A vida, como um copo delicado de vidro.
Tratar os dias como se fossem eternos.
A vida como se fosse eterna.
Os que amamos, como se fossem anjos sempre prontos a tocar o céu.
Os que amamos, como se fossem plantas frágeis que vivem com os pés no solo pobre.
Tratar os dias como se terminassem em breve.
A vida, como um copo delicado de vidro.
CONTRA O FUTURO MARCHAR, MARCHAR
Ao ler em jeito de karaoke as letras das marchas populares fico deveras surpreendido por não ver a juventude aderir em massa.
Afinal quem é que com 18 anos em 2004 não quer ir "pro bailarico" ou "namorar ao parapeito"? Afinal, as "catraias" já não brincam "ao aro, nem ao pião"...
ps: não reparei se o nosso presidente, o marechal Américo Tomás estava presente... Alguém me pode informar?
Ao ler em jeito de karaoke as letras das marchas populares fico deveras surpreendido por não ver a juventude aderir em massa.
Afinal quem é que com 18 anos em 2004 não quer ir "pro bailarico" ou "namorar ao parapeito"? Afinal, as "catraias" já não brincam "ao aro, nem ao pião"...
ps: não reparei se o nosso presidente, o marechal Américo Tomás estava presente... Alguém me pode informar?
10 de junho de 2004
DIA DE CAMÕES 3
Eu até já me custa tocar no assunto RTP. Preferia limpar AINDA MAIS (se possível, por Zeus!!!) o cocó do meu gato. Mas quando penso nas centenas de milhões de euros que vão ser entregues a esta empresa à conta do "serviço público" prestado, tenho de me manifestar.
Ora num daqueles programas inenarráveis da manhã ou da tarde, já nem sei, uma das brainless apresentadoras solicitava o aplauso para um "Ex-combatente". Eu sei que ela não fez por mal- é iletrada, tal como quase tudo o que por ali anda - mas aplaudir um cretino que não apenas se põe com exigências ao resto do país como ainda faz o orgulhoso elogio da guerra racista e que matou milhares e milhares de jovens portugueses é excessivo. Alguém que diga a este bando de velhadas, ex-majores e ex-capitães e por aí fora, que os militares portugueses não foram para África defender Portugal com heroísmo. Não: foram obrigados a ir para um continente adverso, matar gente que já lá estava antes de "ser Portugal". A maioria não sente orgulho em ter andado a "punir os turras". A maioria sente uma angústia que não sabe de onde vem e muitos são os que ainda afogam no álcool os traumas que ali ganharam.
Acredito, contudo, que oficiais mais graduados, de casa e familía instalada naqueles territórios achassem que estavam a defender "o que era deles". Ou que sintam, ainda, o que um pateta de um embaixador-escritor (agraciado hoje, em Bragança) definiu como "uma fractura pela perda do Ultramar".
Era tempo desta gente aceitar a História e emendar o erro de pensamento. E quanto à televisão do Estado era tempo... era tempo... Olha, sinceramente, já não vai a tempo de nada. É um cancro dispendioso que todos pagamos, apenas.
Eu até já me custa tocar no assunto RTP. Preferia limpar AINDA MAIS (se possível, por Zeus!!!) o cocó do meu gato. Mas quando penso nas centenas de milhões de euros que vão ser entregues a esta empresa à conta do "serviço público" prestado, tenho de me manifestar.
Ora num daqueles programas inenarráveis da manhã ou da tarde, já nem sei, uma das brainless apresentadoras solicitava o aplauso para um "Ex-combatente". Eu sei que ela não fez por mal- é iletrada, tal como quase tudo o que por ali anda - mas aplaudir um cretino que não apenas se põe com exigências ao resto do país como ainda faz o orgulhoso elogio da guerra racista e que matou milhares e milhares de jovens portugueses é excessivo. Alguém que diga a este bando de velhadas, ex-majores e ex-capitães e por aí fora, que os militares portugueses não foram para África defender Portugal com heroísmo. Não: foram obrigados a ir para um continente adverso, matar gente que já lá estava antes de "ser Portugal". A maioria não sente orgulho em ter andado a "punir os turras". A maioria sente uma angústia que não sabe de onde vem e muitos são os que ainda afogam no álcool os traumas que ali ganharam.
Acredito, contudo, que oficiais mais graduados, de casa e familía instalada naqueles territórios achassem que estavam a defender "o que era deles". Ou que sintam, ainda, o que um pateta de um embaixador-escritor (agraciado hoje, em Bragança) definiu como "uma fractura pela perda do Ultramar".
Era tempo desta gente aceitar a História e emendar o erro de pensamento. E quanto à televisão do Estado era tempo... era tempo... Olha, sinceramente, já não vai a tempo de nada. É um cancro dispendioso que todos pagamos, apenas.
DIA DE CAMÕES 2
Em Bragança, João Benard da Costa fintou a ranhosice que se esperava do seu discurso, a coisa de circunstância inútil em que os nossos governantes são especialistas e para a qual convidam gente amiga de pactuar, e disse 2 ou 3 coisas sobre o estado da nação. Alguns tomarão o discurso como pessimista, outros meditarão sobre o Regresso anestesiante dos 3 Fs (éfes).
Em Bragança, João Benard da Costa fintou a ranhosice que se esperava do seu discurso, a coisa de circunstância inútil em que os nossos governantes são especialistas e para a qual convidam gente amiga de pactuar, e disse 2 ou 3 coisas sobre o estado da nação. Alguns tomarão o discurso como pessimista, outros meditarão sobre o Regresso anestesiante dos 3 Fs (éfes).
9 de junho de 2004
HIPOCRISIA PARA UM SOLDADO MORTO
Tem sido bonito ver a forma como os dirigentes que ainda há uns dias atrás mimoseavam Sousa Franco com os epítetos de "deficiente" e "pai do défice" endireitam a gravata preta e quase derramam lágrimas pelo "homem extraordinário que tanta falta fará ao país".
Fazem bem, porque também um dia, outros mais novos e com o mesmo ar circunspecto dirão "era uma mulher sem mácula" ou "Um político honesto". A não ser que apareça algum maluco que diga:"apesar de ser um beto de merda, fez uma carreira invejável".
Ámen pela seriedade na política.
Tem sido bonito ver a forma como os dirigentes que ainda há uns dias atrás mimoseavam Sousa Franco com os epítetos de "deficiente" e "pai do défice" endireitam a gravata preta e quase derramam lágrimas pelo "homem extraordinário que tanta falta fará ao país".
Fazem bem, porque também um dia, outros mais novos e com o mesmo ar circunspecto dirão "era uma mulher sem mácula" ou "Um político honesto". A não ser que apareça algum maluco que diga:"apesar de ser um beto de merda, fez uma carreira invejável".
Ámen pela seriedade na política.
8 de junho de 2004
PORTUGAL LITERÁRIO
No Chiado encontro um amigo escritor. De talento, ainda por cima. Fala-me das dificuldades económicas de quem deveria ser dignamente pago pelo seu trabalho, da forma snob como é tratado numa das poucas revistas em que se paga alguma coisa de jeito (o que aparentemente dá à direcção o direito de ser rude para os que não vão à Kapital com eles, ou não têm favores para os manter à tona...). Diz-me ainda dos anti-corpos que faz nascer noutros que já cá andam e que se acham muito mais merecedores de atenção.
Que lhe hei-de responder...?
Portugal é uma aldeia com muitos carros e toda a gente quereria ser filha do lavrador.
No Chiado encontro um amigo escritor. De talento, ainda por cima. Fala-me das dificuldades económicas de quem deveria ser dignamente pago pelo seu trabalho, da forma snob como é tratado numa das poucas revistas em que se paga alguma coisa de jeito (o que aparentemente dá à direcção o direito de ser rude para os que não vão à Kapital com eles, ou não têm favores para os manter à tona...). Diz-me ainda dos anti-corpos que faz nascer noutros que já cá andam e que se acham muito mais merecedores de atenção.
Que lhe hei-de responder...?
Portugal é uma aldeia com muitos carros e toda a gente quereria ser filha do lavrador.
5 de junho de 2004
800 MILITARES VÃO FAZER DE FIGURANTES NO EURO
Aparentemente, esta instituição foi chamada a esta função pela longa prática de inutilidade e de finge que serve.
A RTP foi contactada pois os seus dois milhões e meio de funcionários também são muito bons a fingir de trabalhadores competentes. Mas, infelizmente, a retroescavadora que os traria à superfície dos gabinetes onde passam os dias a olhar para o relógio não estava disponível nesse dia.
Aparentemente, esta instituição foi chamada a esta função pela longa prática de inutilidade e de finge que serve.
A RTP foi contactada pois os seus dois milhões e meio de funcionários também são muito bons a fingir de trabalhadores competentes. Mas, infelizmente, a retroescavadora que os traria à superfície dos gabinetes onde passam os dias a olhar para o relógio não estava disponível nesse dia.
CRÓNICAS DO PÚBLICO
Já aqui referi várias vezes que as crónicas da Helena Matos no Público, aos sábados, são óptimas. Há poucas pessoas entre os nossos cronistas que resumam a actualidade e se comprometam de forma tão eficaz como ela.
O texto de hoje (que não tenho aqui, já passei a outro e não ao mesmo) falava da visão misógina (machista, para os menos versados no trabalho da Academia das Ciências...) de médicos e governantes. De facto, a obsessão com o facto de as mulheres não poderem assumir as mesmas responsabilidades que os homens porque têm de ir para casa tomar contas dos filhos e lavar a louça, é ridícula. Não porque a louça não necessite de ser lavada, ou os filhos tratados, mas porque pressupõe que os homens NÃO TÊM A MESMA OBRIGAÇÃO. Aquela coisa de que "se deve ajudar, mas a casa e os filhos são responsabilidade da mulher". Ora, os homens inteligentes gostariam de acreditar nisso. Alguns (os que apanham mulheres parvas que se prestam voluntariamente - por defeito de educação - ao jogo) até fingem que a coisa está certa. Pois se eles nem têm jeito para a coisa. Alguém chamou a isto o papel do "urso simpático". Mas ninguém acredita já nisto.
Ninguém, a não ser o nosso ministro da saúde que julgou estar a dizer as graçolas machistas diante da secretária, paga para lhe aturar os desaforos, e apanhou com a Ferreira Leite ao lado. Teve azar.
Os nossos políticos não só são profundamente medíocres na sua falta de visão do futuro, como, tremendamente conservadores. E isso, tanto à esquerda como à direita.
Quanto aos médicos ou, pelo menos, à sua Ordem corporativista e muito questionável em tantas matérias, nem vale a pena falar... É o século XIX de bata vestida.
Já aqui referi várias vezes que as crónicas da Helena Matos no Público, aos sábados, são óptimas. Há poucas pessoas entre os nossos cronistas que resumam a actualidade e se comprometam de forma tão eficaz como ela.
O texto de hoje (que não tenho aqui, já passei a outro e não ao mesmo) falava da visão misógina (machista, para os menos versados no trabalho da Academia das Ciências...) de médicos e governantes. De facto, a obsessão com o facto de as mulheres não poderem assumir as mesmas responsabilidades que os homens porque têm de ir para casa tomar contas dos filhos e lavar a louça, é ridícula. Não porque a louça não necessite de ser lavada, ou os filhos tratados, mas porque pressupõe que os homens NÃO TÊM A MESMA OBRIGAÇÃO. Aquela coisa de que "se deve ajudar, mas a casa e os filhos são responsabilidade da mulher". Ora, os homens inteligentes gostariam de acreditar nisso. Alguns (os que apanham mulheres parvas que se prestam voluntariamente - por defeito de educação - ao jogo) até fingem que a coisa está certa. Pois se eles nem têm jeito para a coisa. Alguém chamou a isto o papel do "urso simpático". Mas ninguém acredita já nisto.
Ninguém, a não ser o nosso ministro da saúde que julgou estar a dizer as graçolas machistas diante da secretária, paga para lhe aturar os desaforos, e apanhou com a Ferreira Leite ao lado. Teve azar.
Os nossos políticos não só são profundamente medíocres na sua falta de visão do futuro, como, tremendamente conservadores. E isso, tanto à esquerda como à direita.
Quanto aos médicos ou, pelo menos, à sua Ordem corporativista e muito questionável em tantas matérias, nem vale a pena falar... É o século XIX de bata vestida.
COMENTAR, JÁ!
Algumas pessoas têm-me perguntado de que maneira podem comentar os posts, nesta versão. Na verdade, este novo sistema pede, vá-se lá saber para quê, que se "digite o código". Na verdade, o que eles estão a perguntar (why? Senhores, why?!)é "O que está a ver no quadrado em cima?", "Que letras ou números está ver? Escreva-os em baixo". Resumo, é sempre preciso escrever o que lá estiver. Ex: "U7IO"...
Enfim...
Algumas pessoas têm-me perguntado de que maneira podem comentar os posts, nesta versão. Na verdade, este novo sistema pede, vá-se lá saber para quê, que se "digite o código". Na verdade, o que eles estão a perguntar (why? Senhores, why?!)é "O que está a ver no quadrado em cima?", "Que letras ou números está ver? Escreva-os em baixo". Resumo, é sempre preciso escrever o que lá estiver. Ex: "U7IO"...
Enfim...
4 de junho de 2004
FANFILMS
Há quem leve o cinema tão a sério que faça novos filmes só para parodiar os êxitos.
É o caso deste site. Mas existem outros. É só procurar...
Há quem leve o cinema tão a sério que faça novos filmes só para parodiar os êxitos.
É o caso deste site. Mas existem outros. É só procurar...
CONVITE
O ano passado meteu comes e bebes. Mas também tiveram de me aturar e ao José Mário Silva a falar do "Segura-te ao Meu Peito em Chamas" ;) Este ano só há rebuçados e um pavilhão cheio de MATERNA DOÇURA.
Mas sou sincero se disser que ficaria contente se passassem na Feira do Livro (Lisboa) no Domingo às 18 horas, para dizer "Olá". Não é preciso comprar nada, juro (lol)!
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O ano passado meteu comes e bebes. Mas também tiveram de me aturar e ao José Mário Silva a falar do "Segura-te ao Meu Peito em Chamas" ;) Este ano só há rebuçados e um pavilhão cheio de MATERNA DOÇURA.
Mas sou sincero se disser que ficaria contente se passassem na Feira do Livro (Lisboa) no Domingo às 18 horas, para dizer "Olá". Não é preciso comprar nada, juro (lol)!
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3 de junho de 2004
O OUTRO LADO DO ESPELHO
Anda o mundo adulto muito alarmado porque descobriu que o nosso people (ppl) anda a experimentar drogas na escola.
Só não dá vontade de rir este espanto porque é fácil constatar que a maioria dos pais não tem a mínima ideia (e muitas vezes, Interesse) em saber o que os filhos fazem quando não estão debaixo dos seus stressados olhos. Experimentassem dar uma aula, às 2h da tarde, a uma turma com 2/3 dos seus elementos pedrados que perceberiam melhor... É tão elucidativo como cansativo, trust me...
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ps: qualquer dia ainda começam a fumar.
Anda o mundo adulto muito alarmado porque descobriu que o nosso people (ppl) anda a experimentar drogas na escola.
Só não dá vontade de rir este espanto porque é fácil constatar que a maioria dos pais não tem a mínima ideia (e muitas vezes, Interesse) em saber o que os filhos fazem quando não estão debaixo dos seus stressados olhos. Experimentassem dar uma aula, às 2h da tarde, a uma turma com 2/3 dos seus elementos pedrados que perceberiam melhor... É tão elucidativo como cansativo, trust me...
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ps: qualquer dia ainda começam a fumar.
2 de junho de 2004
FEIRA DO LIVRO
Não é verdade que os media não estejam a dar atenção à Feira do Livro de Lisboa. Ainda hoje, no auditório principal, eram vários os fotógrafos e até uma estação de televisão que cobria a apresentação de um livro, sobre moda, pela Bárbara Guimarães. O facto de os fotógrafos só dispararem as objectivas para a apresentadora só vem provar que são muito exigentes com os níveis de cultura.
Ora esse rigor não fica mal em lado nenhum. Digo eu....
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Não é verdade que os media não estejam a dar atenção à Feira do Livro de Lisboa. Ainda hoje, no auditório principal, eram vários os fotógrafos e até uma estação de televisão que cobria a apresentação de um livro, sobre moda, pela Bárbara Guimarães. O facto de os fotógrafos só dispararem as objectivas para a apresentadora só vem provar que são muito exigentes com os níveis de cultura.
Ora esse rigor não fica mal em lado nenhum. Digo eu....
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UM AMOR DE ÁGUA FRESCA?
Portugal pode não ser uma terra de fé, mas é certamente um país de mistérios.
Onde mais poderíamos encontrar uma cantora lésbica a cantar o hino do tempo de antena de um partido homofóbico...?
Fez-me lembrar a atracção que as criadas tinham antigamente pelo cds. Achavam que era o partido que defendia os interesses das classes trabalhadoras... Ora valha-me O que Lá Está em Cima!
Portugal pode não ser uma terra de fé, mas é certamente um país de mistérios.
Onde mais poderíamos encontrar uma cantora lésbica a cantar o hino do tempo de antena de um partido homofóbico...?
Fez-me lembrar a atracção que as criadas tinham antigamente pelo cds. Achavam que era o partido que defendia os interesses das classes trabalhadoras... Ora valha-me O que Lá Está em Cima!
1 de junho de 2004
DIAS
Após a confusão das últimas semanas, o tempo dos meus dias amainou hoje.
Chegaram-me notícias positivas, o sol brilhou (de mais) e quase que arranjei tempo para escrever o k tinha na cabeça.
Dos Açores chegou-me a carta insólita de uma leitora. Na verdade, da minha primeira leitora. Comprou-me (acordamos o preço) 2 poemas, numa feira de tralha (que é o k akela poesia vale, para ser honesto). Guardou-os na gaveta até hoje. E agora resolveu enviar-mos, para que eu me lembrasse de que um dia tive 18 anos e um interior genuinamente marítimo. Ela não lerá este blogue, por certo, mas o meu obrigado pelo voto de confiança de todos estes anos :)
Após a confusão das últimas semanas, o tempo dos meus dias amainou hoje.
Chegaram-me notícias positivas, o sol brilhou (de mais) e quase que arranjei tempo para escrever o k tinha na cabeça.
Dos Açores chegou-me a carta insólita de uma leitora. Na verdade, da minha primeira leitora. Comprou-me (acordamos o preço) 2 poemas, numa feira de tralha (que é o k akela poesia vale, para ser honesto). Guardou-os na gaveta até hoje. E agora resolveu enviar-mos, para que eu me lembrasse de que um dia tive 18 anos e um interior genuinamente marítimo. Ela não lerá este blogue, por certo, mas o meu obrigado pelo voto de confiança de todos estes anos :)
PIARÁ A CASA PIA?
Por instantes julguei que me tinha enganado; que não conhecia o meu país; que afinal era uma terra desertada pelo corporativismo e pelo dinheiro...
Helàs, estava certo. Quando não pôde mais ser abafado, o escândalo rebentou; quando os factos explodiram na cara da opinião pública tentou-se encontrar o erro processual (o que sempre resultara antes); quando este estratagema não funcionou como devia, procurou-se a falha no testemunho; em seguida, esmagar o juiz, descreditá-lo... E,por uma vez, parecia que a Justiça seria imparcial, que resistia... :)
É tempo de voltar a repetir o meu prognóstico para o jogo Desamparados do Mundo-Aproveitadores da Desgraça: serão poucos os condenados, apenas os que já eram desgraçados e, eventualmente, os que por desgraça não tiverem dinheiro para pagar um escritório de advogados influente. Os outros sairão com ar de indignação e, com sorte, alguma choruda indeminização.Aconteceu na Bélgica, aconteceu em Espanha. Não vejo razão para vir a ser diferente no país dos empreiteiros, dos beatos e da política baixa.
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Por instantes julguei que me tinha enganado; que não conhecia o meu país; que afinal era uma terra desertada pelo corporativismo e pelo dinheiro...
Helàs, estava certo. Quando não pôde mais ser abafado, o escândalo rebentou; quando os factos explodiram na cara da opinião pública tentou-se encontrar o erro processual (o que sempre resultara antes); quando este estratagema não funcionou como devia, procurou-se a falha no testemunho; em seguida, esmagar o juiz, descreditá-lo... E,por uma vez, parecia que a Justiça seria imparcial, que resistia... :)
É tempo de voltar a repetir o meu prognóstico para o jogo Desamparados do Mundo-Aproveitadores da Desgraça: serão poucos os condenados, apenas os que já eram desgraçados e, eventualmente, os que por desgraça não tiverem dinheiro para pagar um escritório de advogados influente. Os outros sairão com ar de indignação e, com sorte, alguma choruda indeminização.Aconteceu na Bélgica, aconteceu em Espanha. Não vejo razão para vir a ser diferente no país dos empreiteiros, dos beatos e da política baixa.
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31 de maio de 2004
GET IN OR GET LOST
Passam por mim, nervosas. Fumam e os olhos procuram alucinados os ecrãs dos computadores onde o caos necessita ser ordenado. E o caos não se compadece, e o telemóvel toca. Insistente. E elas enervam-se e só se viram para o lado para dizer "Oh, as férias... O Brasil das praias... o Longe"...
Cada hora é como um taco no chão de madeira e estão perdidas no meio do padrão. Que interessa o céu, a rua, o corpo. A matrix é a mãe. Ela é que sabe quando as deixará ir para casa enervarem-se com os que as amam.
São pessoas e moram na cidade. Para onde os sonhos dos restantes convergem. O local onde tudo acontece. Mesmo se o tudo é apenas o outro nome do Nada.
Passam por mim, nervosas. Fumam e os olhos procuram alucinados os ecrãs dos computadores onde o caos necessita ser ordenado. E o caos não se compadece, e o telemóvel toca. Insistente. E elas enervam-se e só se viram para o lado para dizer "Oh, as férias... O Brasil das praias... o Longe"...
Cada hora é como um taco no chão de madeira e estão perdidas no meio do padrão. Que interessa o céu, a rua, o corpo. A matrix é a mãe. Ela é que sabe quando as deixará ir para casa enervarem-se com os que as amam.
São pessoas e moram na cidade. Para onde os sonhos dos restantes convergem. O local onde tudo acontece. Mesmo se o tudo é apenas o outro nome do Nada.
ACTUALIDADES
Segundo o jornal Público "Cerca de 170 mil automóveis são deitados fora todos os anos em Portugal. São quase 500 por dia, 20 por hora, um a cada três minutos.".
Isto é absolutamente verdade. Ainda hoje, na A2, foram inúmeras as viaturas que tentaram auto-deitar-se fora, a mais de 180 km hora. Algumas eram tão solidárias que até quiseram levar o meu próprio carro, com família e gatos lá dentro...
Segundo o jornal Público "Cerca de 170 mil automóveis são deitados fora todos os anos em Portugal. São quase 500 por dia, 20 por hora, um a cada três minutos.".
Isto é absolutamente verdade. Ainda hoje, na A2, foram inúmeras as viaturas que tentaram auto-deitar-se fora, a mais de 180 km hora. Algumas eram tão solidárias que até quiseram levar o meu próprio carro, com família e gatos lá dentro...
AINDA O CINEMA...
Ao procurar a legislação referente aos apoios à criação cinematográfica, encontro a seguinte formulação como condição de apoio:"As potencialidades do argumento desenvolvido numa perspectiva de projecto com interesse para o cinema português, tendo em conta a sua qualidade artística técnica, cultural e a sua capacidade de comunicação, são os principais factores a atender, sem esquecer o objectivo último da produção
cinematográfica."
Pergunto eu: os sucessivos júris dos concursos têm atendido à lei? Na minha opinião, não. Ou não teríamos resultados de bilheteira de 230 e tal espectadores em filmes que custaram (pelo menos) 130000 contos ao erário público. E certamente não teríamos a estranha alternância júri->realizador/produtor candidato->júri com que nos deparamos frequentemente.
A lei está certa. Portugal é que precisa de uma visita ao oftalmologista.
Ao procurar a legislação referente aos apoios à criação cinematográfica, encontro a seguinte formulação como condição de apoio:"As potencialidades do argumento desenvolvido numa perspectiva de projecto com interesse para o cinema português, tendo em conta a sua qualidade artística técnica, cultural e a sua capacidade de comunicação, são os principais factores a atender, sem esquecer o objectivo último da produção
cinematográfica."
Pergunto eu: os sucessivos júris dos concursos têm atendido à lei? Na minha opinião, não. Ou não teríamos resultados de bilheteira de 230 e tal espectadores em filmes que custaram (pelo menos) 130000 contos ao erário público. E certamente não teríamos a estranha alternância júri->realizador/produtor candidato->júri com que nos deparamos frequentemente.
A lei está certa. Portugal é que precisa de uma visita ao oftalmologista.
28 de maio de 2004
LA MALA EDUCACIÓN
Não sei se é o melhor filme do Almodóvar. O 15º. Mas é um filme de Almodóvar. Com a tragédia, o humor, a loucura e a morte, sempre de mãos dadas. É uma história em camadas, todas com uma aparente leitura simples e que se vão tornando mais complexas à medida que nos mostra a seguinte.
É um filme sobre o amor. Como todos os anteriores. Não há lugar para julgamentos num mundo em que todos têm algo a esconder e outro tanto a desejar.
Um filme de resistência, também, neste início de século conformadinho e conservador.
Não sei se é o melhor filme do Almodóvar. O 15º. Mas é um filme de Almodóvar. Com a tragédia, o humor, a loucura e a morte, sempre de mãos dadas. É uma história em camadas, todas com uma aparente leitura simples e que se vão tornando mais complexas à medida que nos mostra a seguinte.
É um filme sobre o amor. Como todos os anteriores. Não há lugar para julgamentos num mundo em que todos têm algo a esconder e outro tanto a desejar.
Um filme de resistência, também, neste início de século conformadinho e conservador.
26 de maio de 2004
SUSTO!
Ainda no campo da análise da Nova Direita portuguesa, quis saber mais sobre os cartazes que o partido do Manel mandou colocar pela cidade de Lisboa (pelo menos...). Coisa jovem..., virada para o futuro...
Infelizmente, certamente por erro meu, fui parar a um site chamado "you're-an-idiot.com" que me encheu o ecrã com um smiley irritante e que se ia desdobrando por todo o lado enquanto me dava o justo epíteto...
Não estou preparado para gente tão liberal e visionária, é o que é...!
Ainda no campo da análise da Nova Direita portuguesa, quis saber mais sobre os cartazes que o partido do Manel mandou colocar pela cidade de Lisboa (pelo menos...). Coisa jovem..., virada para o futuro...
Infelizmente, certamente por erro meu, fui parar a um site chamado "you're-an-idiot.com" que me encheu o ecrã com um smiley irritante e que se ia desdobrando por todo o lado enquanto me dava o justo epíteto...
Não estou preparado para gente tão liberal e visionária, é o que é...!
A DIREITA PEDE, A SETINHA MANDA
O CDS-PP propõe que se metam na cadeia as pessoas que se manifestem nas galerias da Assembleia.
Está certo! Afinal, quem lá está representa pouco ou nada dos portugueses. A realidade ainda acabaria por contagiar algum dos deputados...
Aliás, se me permitem a sugestão (outra hipótese de ter ideias é escrever para www.perguntaobetinhoquenaovivenestemundo.pt)talvez se pudessem colocar os "hooligans" de S.Bento com as mulheres condenadas por abortar. Sendo estas umas depravadas e eles uns arruaceiros bêbados, aposto que passariam o tempo a fornicar como loucos, dando motivos a grandes rezas de terço pelas suas almas.
O CDS-PP propõe que se metam na cadeia as pessoas que se manifestem nas galerias da Assembleia.
Está certo! Afinal, quem lá está representa pouco ou nada dos portugueses. A realidade ainda acabaria por contagiar algum dos deputados...
Aliás, se me permitem a sugestão (outra hipótese de ter ideias é escrever para www.perguntaobetinhoquenaovivenestemundo.pt)talvez se pudessem colocar os "hooligans" de S.Bento com as mulheres condenadas por abortar. Sendo estas umas depravadas e eles uns arruaceiros bêbados, aposto que passariam o tempo a fornicar como loucos, dando motivos a grandes rezas de terço pelas suas almas.
25 de maio de 2004
SALOMÉ
Ainda a pensar no livro do Miguéis encontrei este poema do Herberto Helder que transcrevo com a devida vénia:
CANÇÃO DE CABILA
Leve, aparece na dança -
e ninguém lhe sabe o nome.
Vai e vem entre os seus peitos
um amuleto de prata.
Mergulha fundo na dança.
Tilintam em seus artelhos
muitas argolas de prata.
- Foi por ela que vendi
um pomar de macieiras.
Ela cai dentro da dança,
e abrem-se ao meio os cabelos.
- Foi por ela que vendi
o meu olival antigo.
Vai até ao centro da dança.
Cintila, vivo, um colar.
- Foi por ela que vendi
o meu campo de figueiras.
E no coração da dança,
todo um sorriso a enflora.
- Foi por ela que vendi
um milhão de laranjeiras. "
Ainda a pensar no livro do Miguéis encontrei este poema do Herberto Helder que transcrevo com a devida vénia:
CANÇÃO DE CABILA
Leve, aparece na dança -
e ninguém lhe sabe o nome.
Vai e vem entre os seus peitos
um amuleto de prata.
Mergulha fundo na dança.
Tilintam em seus artelhos
muitas argolas de prata.
- Foi por ela que vendi
um pomar de macieiras.
Ela cai dentro da dança,
e abrem-se ao meio os cabelos.
- Foi por ela que vendi
o meu olival antigo.
Vai até ao centro da dança.
Cintila, vivo, um colar.
- Foi por ela que vendi
o meu campo de figueiras.
E no coração da dança,
todo um sorriso a enflora.
- Foi por ela que vendi
um milhão de laranjeiras. "
FEIRODEPENDÊNCIA...
Hoje não fui à feira do livro; hoje não remexi páginas e páginas... Estou-me a aguentar (primeira vez em 4 dias que me consigo conter)... Baby steps, baby steps... Amanhã talvez consiga não dar por mim a folhear dos que dizem "saldos 1?" até aos que têm escrito "Novidade"...
Maldito vício!
Hoje não fui à feira do livro; hoje não remexi páginas e páginas... Estou-me a aguentar (primeira vez em 4 dias que me consigo conter)... Baby steps, baby steps... Amanhã talvez consiga não dar por mim a folhear dos que dizem "saldos 1?" até aos que têm escrito "Novidade"...
Maldito vício!
24 de maio de 2004
O MILAGRE FICA ONDE SEMPRE ESTEVE: NO LIVRO
Como não devo favores ao Paulo Branco nem isto é um jornal onde se tem de elogiar tudo o que as suas produtoras fazem, gostaria de opinar sobre o filme de Mário Barroso, O MILAGRE SEGUNDO SALOMÉ.
O romance é maravilhoso (2 volumes, na Presença). Um dos melhores livros de José Rodrigues Miguéis, ignorado q.b. pelos nossos contemporâneos.
O filme nem por isso. Contudo, o bom trabalho de fotografia e a realização segura de muitas cenas mereceria sê-lo. Bem como o trabalho de alguns actores (Nicolau Breyner, subtil, Ana Bandeira quase sempre segura, a presença contida de Ricardo Pereira...)e a música com arranjos de Bernardo Sassetti. Destaque ainda para a direcção artística de Isabel Branco que nos dá uma Lisboa do início do século (1917-1918) requintada nos pormenores.
Este filme mereceria um argumento forte. Na minha opinião ficou muito longe de o obter. Carlos Saboga (residente em França há décadas e de quem vimos "Jaime" além de algumas intervenções em telefilmes da Sic) não domina a arte de criar uma cena, desconhece o significado de "sequência" e, sobretudo, não alinha dois diálogos de jeito. As personagens falam com uma verborreia tal que nos ficam a doer os ouvidos. E para nada, depois de espremido nada disseram. Sem querer estar a bater no ceguinho parece-me evidente que o argumentista não tem talento para arte de escrever as coisas que os actores dizem, nem domina a língua portuguesa na sua forma coloquial. Muito menos a falada em 1917 ("Olha que ela fode-te!" ou "Que seca!"...).
Repito, este filme mereceria um argumento que aguentasse a força que se desprende do trabalho de imagem.
Como não devo favores ao Paulo Branco nem isto é um jornal onde se tem de elogiar tudo o que as suas produtoras fazem, gostaria de opinar sobre o filme de Mário Barroso, O MILAGRE SEGUNDO SALOMÉ.
O romance é maravilhoso (2 volumes, na Presença). Um dos melhores livros de José Rodrigues Miguéis, ignorado q.b. pelos nossos contemporâneos.
O filme nem por isso. Contudo, o bom trabalho de fotografia e a realização segura de muitas cenas mereceria sê-lo. Bem como o trabalho de alguns actores (Nicolau Breyner, subtil, Ana Bandeira quase sempre segura, a presença contida de Ricardo Pereira...)e a música com arranjos de Bernardo Sassetti. Destaque ainda para a direcção artística de Isabel Branco que nos dá uma Lisboa do início do século (1917-1918) requintada nos pormenores.
Este filme mereceria um argumento forte. Na minha opinião ficou muito longe de o obter. Carlos Saboga (residente em França há décadas e de quem vimos "Jaime" além de algumas intervenções em telefilmes da Sic) não domina a arte de criar uma cena, desconhece o significado de "sequência" e, sobretudo, não alinha dois diálogos de jeito. As personagens falam com uma verborreia tal que nos ficam a doer os ouvidos. E para nada, depois de espremido nada disseram. Sem querer estar a bater no ceguinho parece-me evidente que o argumentista não tem talento para arte de escrever as coisas que os actores dizem, nem domina a língua portuguesa na sua forma coloquial. Muito menos a falada em 1917 ("Olha que ela fode-te!" ou "Que seca!"...).
Repito, este filme mereceria um argumento que aguentasse a força que se desprende do trabalho de imagem.
23 de maio de 2004
FEIRA
A vantagem das sessões de autógrafos é a de estarmos sentados numas cadeirinhas, à vista de todos, com os amigos a parar para dar dois dedos de conversas.
Hoje foi divertido. Desci a calçada, qual Odete Santos Poeta, e fui falando e abraçando os escritores amigos, publicados por lados vários. Depois foram outros que passaram pela minha "banca", não para comprar a mercadoria autografada mas para falar das coisas simples e bem dispostas de que se deve falar à sombra das árvores.
Mesmo com o buraco do túnel e o Parque semi-esventrado pelo nosso Bushezinho de trazer por casa, a feira continua a ser festa :)
A vantagem das sessões de autógrafos é a de estarmos sentados numas cadeirinhas, à vista de todos, com os amigos a parar para dar dois dedos de conversas.
Hoje foi divertido. Desci a calçada, qual Odete Santos Poeta, e fui falando e abraçando os escritores amigos, publicados por lados vários. Depois foram outros que passaram pela minha "banca", não para comprar a mercadoria autografada mas para falar das coisas simples e bem dispostas de que se deve falar à sombra das árvores.
Mesmo com o buraco do túnel e o Parque semi-esventrado pelo nosso Bushezinho de trazer por casa, a feira continua a ser festa :)
ACHILES TALON
Vi a adaptação da obra de Homero. Confesso que temia o pior. Preconceituoso, ou não fosse "intelectual" e português, meti na cabeça que seria um peplum, uma coisa à italiana, com toda a gente mto lavadinha e o Brad Pitt a esticar os tendões. Não foi. Antes uma adaptação justa. Com uma atenção ao pormenor mto interessante e uma representação igualmente eficaz. O argumento aguenta-se bem e, tirando a fala final do Aquiles, transformado em almofada de alfinetes falante, tem interesse e funciona a contento. Dei o dinheiro por bem empregue.
Antes assim.
Vi a adaptação da obra de Homero. Confesso que temia o pior. Preconceituoso, ou não fosse "intelectual" e português, meti na cabeça que seria um peplum, uma coisa à italiana, com toda a gente mto lavadinha e o Brad Pitt a esticar os tendões. Não foi. Antes uma adaptação justa. Com uma atenção ao pormenor mto interessante e uma representação igualmente eficaz. O argumento aguenta-se bem e, tirando a fala final do Aquiles, transformado em almofada de alfinetes falante, tem interesse e funciona a contento. Dei o dinheiro por bem empregue.
Antes assim.
21 de maio de 2004
20 de maio de 2004
NÃO PECARÁS!
Hoje os jornais abriam com a dramática notícia de que a ministra das finanças teria cometido um erro ao preencher (com os irmãos) a sua declaração de impostos. E que teria rectificado o facto e pago o que haveria a pagar.
É maravilhoso o que uma oposição inteligente desencanta com a cumplicidade dos empregados das finanças. Sim senhor: uma bomba! A mulher peca! Bem investigadas as coisas ainda descobrem que já terá dito palavrões ou insultado uma velhota na rua.
Logo agora que Portugal precisava de ter uma santa em ministra...
Hoje os jornais abriam com a dramática notícia de que a ministra das finanças teria cometido um erro ao preencher (com os irmãos) a sua declaração de impostos. E que teria rectificado o facto e pago o que haveria a pagar.
É maravilhoso o que uma oposição inteligente desencanta com a cumplicidade dos empregados das finanças. Sim senhor: uma bomba! A mulher peca! Bem investigadas as coisas ainda descobrem que já terá dito palavrões ou insultado uma velhota na rua.
Logo agora que Portugal precisava de ter uma santa em ministra...
19 de maio de 2004
OS SONHADORES
Bertolucci vem lembrar que se pode fazer um filme apens com 3 pessoas jovens e bonitas e uma banheira num apartamento elegante. O ser humano com as suas contradições é mais do que suficiente para tema. Se ele, realizador, não se esquecesse desta verdade simples, enchendo a tela com clichés sobre o Maio de 68 e as citações cinéfilas teria sido um filme melhor.
A ver, contudo.
ps: tenho o MILAGRE SEGUNDO SALOMÉ, na minha lista de espera. Não fosse a memória do maravilhoso romance de José Rodrigues Miguéis e ter-me-ia sentido desalentado pelos pavorosos cartazes de promoção. Assim, irei ver.
ps2: Alguém me explicará a razão de ser da expressão "Um filme DE Mário Barroso"? E não será um filme do Bernardo Sass. (música) ou do Carlos Saboga (argumento) também? Isto para indicar apenas das autorias mais óbvias, protegidos pela lei dos direitos de autor...
Bertolucci vem lembrar que se pode fazer um filme apens com 3 pessoas jovens e bonitas e uma banheira num apartamento elegante. O ser humano com as suas contradições é mais do que suficiente para tema. Se ele, realizador, não se esquecesse desta verdade simples, enchendo a tela com clichés sobre o Maio de 68 e as citações cinéfilas teria sido um filme melhor.
A ver, contudo.
ps: tenho o MILAGRE SEGUNDO SALOMÉ, na minha lista de espera. Não fosse a memória do maravilhoso romance de José Rodrigues Miguéis e ter-me-ia sentido desalentado pelos pavorosos cartazes de promoção. Assim, irei ver.
ps2: Alguém me explicará a razão de ser da expressão "Um filme DE Mário Barroso"? E não será um filme do Bernardo Sass. (música) ou do Carlos Saboga (argumento) também? Isto para indicar apenas das autorias mais óbvias, protegidos pela lei dos direitos de autor...
18 de maio de 2004
EUROVISION SONG(?) CONTEST
Para os mais novos já não significa nada, eu sei. Mesmo para os que estamos a ficar grandinhos a coisa tem um valor meramente simbólico. Mas, ainda assim, vamos vendo e opinando.
Os portugueses cantaram bem,tinham uma coreografia simpática e a orquestração fez o que pôde... por uma música que não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Bem bom que os telespectadores portugueses não se lembraram de enviar a canção escrita pela simpática Rosete (que é isso mesmo: simpática. Sem mais. Não sei quem escreveu esta, mas espero sinceramente que seja de algum familiar de um membro da direcção de programas da RTP. Ao menos seria a inovação na continuidade dos processos da tv do Estado... Porque se foi MESMO escolhida pelo mérito (o que duvido, atendendo aos mais de 40 anos de compadrio, despesismo e incompetência)... Valha-me Deus!
Será muito difícil compreender que um cantor não se deve (salvo honrosas excepções, como o Sérgio Godinho) armar em compositor e poeta só porque necessita de repertório? Existem compositores bons e autores de letras bons. É só juntar as energias.
Caso contrário será o mesmo que pedir a um actor brilhante que seja o dramaturgo de uma peça excelente. Pode acontecer... Mas nunca será a regra.
Para os mais novos já não significa nada, eu sei. Mesmo para os que estamos a ficar grandinhos a coisa tem um valor meramente simbólico. Mas, ainda assim, vamos vendo e opinando.
Os portugueses cantaram bem,tinham uma coreografia simpática e a orquestração fez o que pôde... por uma música que não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Bem bom que os telespectadores portugueses não se lembraram de enviar a canção escrita pela simpática Rosete (que é isso mesmo: simpática. Sem mais. Não sei quem escreveu esta, mas espero sinceramente que seja de algum familiar de um membro da direcção de programas da RTP. Ao menos seria a inovação na continuidade dos processos da tv do Estado... Porque se foi MESMO escolhida pelo mérito (o que duvido, atendendo aos mais de 40 anos de compadrio, despesismo e incompetência)... Valha-me Deus!
Será muito difícil compreender que um cantor não se deve (salvo honrosas excepções, como o Sérgio Godinho) armar em compositor e poeta só porque necessita de repertório? Existem compositores bons e autores de letras bons. É só juntar as energias.
Caso contrário será o mesmo que pedir a um actor brilhante que seja o dramaturgo de uma peça excelente. Pode acontecer... Mas nunca será a regra.
16 de maio de 2004
TGV ESPANHOL
Acaba de sair em Espanha, pela mão da editora Lengua de Trapo (coordenação de Karmele Seitene) um livro de contos originais da nova geração de escritores portugueses.
Além deste vosso criado, podem os hermanos tomar contacto com a imaginação de Pedro Rosa Mendes, Francisco José Viegas, Mafalda Ivo Cruz entre outros...
Acaba de sair em Espanha, pela mão da editora Lengua de Trapo (coordenação de Karmele Seitene) um livro de contos originais da nova geração de escritores portugueses.
Além deste vosso criado, podem os hermanos tomar contacto com a imaginação de Pedro Rosa Mendes, Francisco José Viegas, Mafalda Ivo Cruz entre outros...
TAÇA DE PORTUGAL
Hoje, muitos portugueses foram benfiquistas. Ver o execrável Mourinho a explodir de rancor e despeito por não ver concretizadas as suas arrogantes profecias deixou muitos de nós contentes. Será infantilidade, mas que dizer senão: "Toma e embrulha" ;)
Ao contrário do que muitas pessoas honestamente pensam, tenho a convicção de que o FCP faz pior pelo Porto e pelas suas gentes do que lhe fará bem. E, ao contrário do que muitos teimam em afirmar, não tem a ver com inveja de coisa nenhuma. É sim, pela arrogância e falta de solidariedade demonstrada em cada uma das vitórias. O país mereceria orgulhar-se de um clube que se orgulhasse de pertencer a um povo generoso. A vitória pelo prazer do esmagamento é do domínio do bárbaro.
Hoje, muitos portugueses foram benfiquistas. Ver o execrável Mourinho a explodir de rancor e despeito por não ver concretizadas as suas arrogantes profecias deixou muitos de nós contentes. Será infantilidade, mas que dizer senão: "Toma e embrulha" ;)
Ao contrário do que muitas pessoas honestamente pensam, tenho a convicção de que o FCP faz pior pelo Porto e pelas suas gentes do que lhe fará bem. E, ao contrário do que muitos teimam em afirmar, não tem a ver com inveja de coisa nenhuma. É sim, pela arrogância e falta de solidariedade demonstrada em cada uma das vitórias. O país mereceria orgulhar-se de um clube que se orgulhasse de pertencer a um povo generoso. A vitória pelo prazer do esmagamento é do domínio do bárbaro.
É PRECISO ESCLARECER
Algumas pessoas andam a fazer confusão com a obra conhecida como "Túnel do Marquês" (Lisboa). Que é preciso acautelar as inclinações, a forma como os carros entram e saem, etc...
Por amor de Deus, desde quando é que construir um parque de estacionamento subterrâneo é assim tão difícil?! Naturalmente que os carros escorregam por um lado, dão umas voltinhas circulares e páram. Quando lhes apetecer sair, pagam o bilhetito (que deve ser caro, assim tão no meio de Lisboa...) e regressam PELO BURACO POR ONDE ENTRARAM...
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Daaa...! Não estou a perceber o problema... Alguém me explica...?
Algumas pessoas andam a fazer confusão com a obra conhecida como "Túnel do Marquês" (Lisboa). Que é preciso acautelar as inclinações, a forma como os carros entram e saem, etc...
Por amor de Deus, desde quando é que construir um parque de estacionamento subterrâneo é assim tão difícil?! Naturalmente que os carros escorregam por um lado, dão umas voltinhas circulares e páram. Quando lhes apetecer sair, pagam o bilhetito (que deve ser caro, assim tão no meio de Lisboa...) e regressam PELO BURACO POR ONDE ENTRARAM...
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Daaa...! Não estou a perceber o problema... Alguém me explica...?
VER DO CÉU
No Terreiro do Paço está exposta uma enorme colecção (da autoria de Yann Arthus-Bertrand) de fotografias do nosso planeta. São interessantes a 2 níveis: fotográfico (a composição é excelente) e de registo destas maravilhosas fragilidade e grandeza que fazem do planeta Terra um lugar único.
Mais detalhes, aqui.
No Terreiro do Paço está exposta uma enorme colecção (da autoria de Yann Arthus-Bertrand) de fotografias do nosso planeta. São interessantes a 2 níveis: fotográfico (a composição é excelente) e de registo destas maravilhosas fragilidade e grandeza que fazem do planeta Terra um lugar único.
Mais detalhes, aqui.
14 de maio de 2004
12 de maio de 2004
LAVAR A LOUÇA COM PÁSSAROS
A água corria, quente e em franco desperdício, enquanto eu ia pensando na solução para uma história. Subitamente, do outro lado da janela, debicando coisas misteriosas na relva, um pássaro. Um melro para ser mais exacto. Saltitou, preto e decidido, olhando em volta, pronto a partir. Mas só as ervas se moviam. Eu continha a respiração para que ele não se apercebesse da minha presença. Mas ele viu-me. Ficou parado a olhar directamente para a minha figura imóvel. Depois virou-me um olho desconfiado (o seu mais apurado, suponho...) antes de partir gritando ao vento que homens e pássaros nunca seriam irmãos.
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A água corria, quente e em franco desperdício, enquanto eu ia pensando na solução para uma história. Subitamente, do outro lado da janela, debicando coisas misteriosas na relva, um pássaro. Um melro para ser mais exacto. Saltitou, preto e decidido, olhando em volta, pronto a partir. Mas só as ervas se moviam. Eu continha a respiração para que ele não se apercebesse da minha presença. Mas ele viu-me. Ficou parado a olhar directamente para a minha figura imóvel. Depois virou-me um olho desconfiado (o seu mais apurado, suponho...) antes de partir gritando ao vento que homens e pássaros nunca seriam irmãos.
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O MEDO
Hoje tirei as mãos do guiador e deixei-me deslizar a toda a velocidade, enquanto as rodas faziam "cchhhhhhtttt...". Percebi, subitamente, que a única razão por que não tinha sido bem sucedido nesta proeza durante estes anos todos era o medo de cair. Quando a serenidade me atingiu, seguimos os dois o nosso caminho veloz. A bicicleta e eu.
Hoje tirei as mãos do guiador e deixei-me deslizar a toda a velocidade, enquanto as rodas faziam "cchhhhhhtttt...". Percebi, subitamente, que a única razão por que não tinha sido bem sucedido nesta proeza durante estes anos todos era o medo de cair. Quando a serenidade me atingiu, seguimos os dois o nosso caminho veloz. A bicicleta e eu.
10 de maio de 2004
7 de maio de 2004
3 de maio de 2004
2 de maio de 2004
ENTRETENIMENTO
Fui ontem ver o "My Fair Lady", no teatro Politeama. Estava em cena há um ror de tempo e eu queria ver o que o La Feria tinha feito com esta versão do Pigmaleão.
Que dizer? As músicas são boas, a orquestra é óptima (gostava de saber quantos espectáculos teatrais em Portugal têm noite após noite uma orquestra ao vivo...), a história é divertida e há boas vozes.
Tirando o desconforto das cadeiras o público gostou bastante. Numa sala cheia (dezenas e dezenas de espectáculos depois, mais ou menos o mesmo que acontece com as peças incensadas na imprensa...), aconteceu uma noite de entretenimento puro. Sem mais.
Está certo que a Anabela tem tanto jeito para representar como eu tenho para a renda de bilros, ou que o Miguel... (esqueci-me o nome, mas escreveu uma coisa chamada "Toma lá uma Queca", ou assim...) é um canastrão incorrigível) e que a tradução apressada das letras leva a que os cantores se desunhem para apanhar a música a tempo, mas o espectáculo continua a ser muito válido. Não fosse tudo isto e a pavorosa cenografia (a mesma trampa que já tinha acontecido na versão de "A casa do lago" e poderíamos ser transportados até Londres.
Na paragem do autocarro as pessoas trauteavam. Nunca vi isto à saída do Nacional...
Fui ontem ver o "My Fair Lady", no teatro Politeama. Estava em cena há um ror de tempo e eu queria ver o que o La Feria tinha feito com esta versão do Pigmaleão.
Que dizer? As músicas são boas, a orquestra é óptima (gostava de saber quantos espectáculos teatrais em Portugal têm noite após noite uma orquestra ao vivo...), a história é divertida e há boas vozes.
Tirando o desconforto das cadeiras o público gostou bastante. Numa sala cheia (dezenas e dezenas de espectáculos depois, mais ou menos o mesmo que acontece com as peças incensadas na imprensa...), aconteceu uma noite de entretenimento puro. Sem mais.
Está certo que a Anabela tem tanto jeito para representar como eu tenho para a renda de bilros, ou que o Miguel... (esqueci-me o nome, mas escreveu uma coisa chamada "Toma lá uma Queca", ou assim...) é um canastrão incorrigível) e que a tradução apressada das letras leva a que os cantores se desunhem para apanhar a música a tempo, mas o espectáculo continua a ser muito válido. Não fosse tudo isto e a pavorosa cenografia (a mesma trampa que já tinha acontecido na versão de "A casa do lago" e poderíamos ser transportados até Londres.
Na paragem do autocarro as pessoas trauteavam. Nunca vi isto à saída do Nacional...
DYRUPE-ME OU ROBIOLÁKME
Se por acaso conhecerem alguém da administração da Parque Expo comuniquem-lhes, por favor, de que existe agora uma coisa chamada "verniz para exteriores" que seria muito boa para os equipamentos em madeira do Parque das Nações. Usa-se depois da aplicação de uma folha abrasiva conhecida como "lixa" e que custa baratíssimo. Eu sei que isto é super-tecnológico, mas talvez algum dos consultores ricamente pagos lhes possa explicar...
Se por acaso conhecerem alguém da administração da Parque Expo comuniquem-lhes, por favor, de que existe agora uma coisa chamada "verniz para exteriores" que seria muito boa para os equipamentos em madeira do Parque das Nações. Usa-se depois da aplicação de uma folha abrasiva conhecida como "lixa" e que custa baratíssimo. Eu sei que isto é super-tecnológico, mas talvez algum dos consultores ricamente pagos lhes possa explicar...
30 de abril de 2004
MAKE ME SIC
Adorável a forma como estão a recrutar, via SIC, a futura miss Portugal: pega-se numa besta com má-língua, junta-se-lhe uma tonta quase tão loura como malcriada e ainda outra criatura de que nem me lembro. Em seguida manda-se entrar uma adolescente tontinha a quem passaram a vida a dizer que era linda, mesmo não o sendo, e aponta-se-lhe os defeitos todos. De forma tão grosseira quanto possível.
A miúda parte em lágrimas e a Sic rebola-se de riso.
Parabéns, Manuel Fonseca!
Adorável a forma como estão a recrutar, via SIC, a futura miss Portugal: pega-se numa besta com má-língua, junta-se-lhe uma tonta quase tão loura como malcriada e ainda outra criatura de que nem me lembro. Em seguida manda-se entrar uma adolescente tontinha a quem passaram a vida a dizer que era linda, mesmo não o sendo, e aponta-se-lhe os defeitos todos. De forma tão grosseira quanto possível.
A miúda parte em lágrimas e a Sic rebola-se de riso.
Parabéns, Manuel Fonseca!
UNIVERSIDADE
Consta que o actual governo pretende "abrir" a universidade a novos docentes. Introduzir "reformas". Que as faculdades constituem universo fechado e, frequentemente, corporativista e amedrontado, já o sabíamos. Que existem milhares de professores sem qualquer preparação para orientar os alunos nos conhecimentos, também. Julguei, portanto, que a proposta consistiria em DAR FORMAÇÃO PEDAGÓGICA aos existentes; ensinar-lhes o que querem dizer palavrões como "dinâmicas de grupo", "motivação", "feedback positivo"...
Afinal, não: querem apenas meter "doutorados" exteriores ao "sistema". Estarão eventualmente a pensar nos nossos "estrangeirados" das áreas científicas. O que será positivo. Na pior das hipóteses estarão apenas a abrir lugares para os laranjinhas filhos do cavaquismo que chegaram dos States e não arranjam trabalho...
Em qualquer dos casos, ser professor é mais do que isso.
Consta que o actual governo pretende "abrir" a universidade a novos docentes. Introduzir "reformas". Que as faculdades constituem universo fechado e, frequentemente, corporativista e amedrontado, já o sabíamos. Que existem milhares de professores sem qualquer preparação para orientar os alunos nos conhecimentos, também. Julguei, portanto, que a proposta consistiria em DAR FORMAÇÃO PEDAGÓGICA aos existentes; ensinar-lhes o que querem dizer palavrões como "dinâmicas de grupo", "motivação", "feedback positivo"...
Afinal, não: querem apenas meter "doutorados" exteriores ao "sistema". Estarão eventualmente a pensar nos nossos "estrangeirados" das áreas científicas. O que será positivo. Na pior das hipóteses estarão apenas a abrir lugares para os laranjinhas filhos do cavaquismo que chegaram dos States e não arranjam trabalho...
Em qualquer dos casos, ser professor é mais do que isso.
29 de abril de 2004
MARIA E AS OUTRAS
Poderia dizer que embora o argumento seja meu (a partir da ideia de Rita Bénis, uma estreante nesta andanças), não fui eu que escrevi os diálogos da net, que são uma zona mais fraca na totalidade da película. Ou que um filme é o fruto de um processo que inclui realização, produção, direcção de actores, escolha de casting, etc... longo e complicado. Mas ao ler as críticas que alguns jornalistas fazem ao filme, pergunto-me se o interesse, a emoção e o riso sincero das centenas de pessoas que enchiam ontem a sala foram delírio meu...?
Ou o que as pessoas sentem deixou de ter importância ou os nossos críticos de cinema terão de deixar de ter visionamentos logo de manhãzinha, de criarem opiniões conjuntas no bar e tentar perceber que há filmes que buscam a originalidade e outros que buscam a partilha. Este nunca quis ser mais do que um filme que buscasse esta última qualidade. E senti que a assistência gostou e se sentiu tocada e feliz por, POR UMA VEZ, não ter apanhado 2 horas de seca!
Reduzi-lo a pó, saltando por cima do que de bem feito ele tem, além de afastar os já receosos espectadores não trará, a meu ver, nada de positivo.
Chatice: lá se foi o Prémio da Crítica do bar Snob!
;) No hard feelings
ps: se forem ver, gostaria de ter aqui as vossas opiniões. Boas e más.
Poderia dizer que embora o argumento seja meu (a partir da ideia de Rita Bénis, uma estreante nesta andanças), não fui eu que escrevi os diálogos da net, que são uma zona mais fraca na totalidade da película. Ou que um filme é o fruto de um processo que inclui realização, produção, direcção de actores, escolha de casting, etc... longo e complicado. Mas ao ler as críticas que alguns jornalistas fazem ao filme, pergunto-me se o interesse, a emoção e o riso sincero das centenas de pessoas que enchiam ontem a sala foram delírio meu...?
Ou o que as pessoas sentem deixou de ter importância ou os nossos críticos de cinema terão de deixar de ter visionamentos logo de manhãzinha, de criarem opiniões conjuntas no bar e tentar perceber que há filmes que buscam a originalidade e outros que buscam a partilha. Este nunca quis ser mais do que um filme que buscasse esta última qualidade. E senti que a assistência gostou e se sentiu tocada e feliz por, POR UMA VEZ, não ter apanhado 2 horas de seca!
Reduzi-lo a pó, saltando por cima do que de bem feito ele tem, além de afastar os já receosos espectadores não trará, a meu ver, nada de positivo.
Chatice: lá se foi o Prémio da Crítica do bar Snob!
;) No hard feelings
ps: se forem ver, gostaria de ter aqui as vossas opiniões. Boas e más.
26 de abril de 2004
DESCER A AVENIDA
Enquanto descia (à velocidade que queria e sem me preocupar de quem eram as faixas onde me ia encostando) e ouvia os gritos de ordem do passado, percebi que havia mais pessoas a ver do que a participar. O que me pareceu, da parte das gerações mais novas, sinal de que o 25 de Abril era uma aula de história, para esquecer ao lado das de matemática ou de português. E das gerações mais velhas que se esqueceram que houve um tempo em que as pessoas não se limitaram a balir. Pediam, construíam e, de vez em quando, conseguiam.
Enquanto descia (à velocidade que queria e sem me preocupar de quem eram as faixas onde me ia encostando) e ouvia os gritos de ordem do passado, percebi que havia mais pessoas a ver do que a participar. O que me pareceu, da parte das gerações mais novas, sinal de que o 25 de Abril era uma aula de história, para esquecer ao lado das de matemática ou de português. E das gerações mais velhas que se esqueceram que houve um tempo em que as pessoas não se limitaram a balir. Pediam, construíam e, de vez em quando, conseguiam.
FESTA COM MÚSICA
Um corrupio de gente. Música por todo lado. As idades confundidas.
De todos os concertos que vi, o melhor foi o menos espectacular de todos (no sentido de ter muitos instrumentistas ou não). Paulo Gaio Lima(violoncelo) e António Rosado, (piano) tocaram obras de Mendelssohn e Schumann. O violoncelista do Porto foi absolutamente sublime, sabendo calar-se quando o piano se elevava e partindo em seguida, vivaz, para uma interpretação rica. O contrário verificou-se menos. António Rosado martelou em força e com menos expressão. Mas pode ter sido apenas do repertório. De qualquer maneira, foi, para mim a melhor sessão.
Destaque ainda para a pianista Brigitte Engerer, a trazer ao de cima o melhor da obra de Clara Schumann.
Só por isto, já teria valido a pena. Mas houve ainda a visita (gratuita) às exposições temporárias e a alegria civilizada vivida entre tanta gente.
Para o ano lá estaremos, de novo :)
Um corrupio de gente. Música por todo lado. As idades confundidas.
De todos os concertos que vi, o melhor foi o menos espectacular de todos (no sentido de ter muitos instrumentistas ou não). Paulo Gaio Lima(violoncelo) e António Rosado, (piano) tocaram obras de Mendelssohn e Schumann. O violoncelista do Porto foi absolutamente sublime, sabendo calar-se quando o piano se elevava e partindo em seguida, vivaz, para uma interpretação rica. O contrário verificou-se menos. António Rosado martelou em força e com menos expressão. Mas pode ter sido apenas do repertório. De qualquer maneira, foi, para mim a melhor sessão.
Destaque ainda para a pianista Brigitte Engerer, a trazer ao de cima o melhor da obra de Clara Schumann.
Só por isto, já teria valido a pena. Mas houve ainda a visita (gratuita) às exposições temporárias e a alegria civilizada vivida entre tanta gente.
Para o ano lá estaremos, de novo :)
23 de abril de 2004
PÁ... FOI TUDO TÃO INESPERADO...
Parece que o governo está um pouco embaraçado com o envolvimento de membros do psd e o escândalo do apito.
"Pareciam tão boas pessoas, tão amigos da família, e das casas (mesmo antes de serem construídas...)", não mencionando que estavam sempre prontos para falar com gente da bola....", terá dito o Secretário de Estado da Ingenuidade. Em telefonema para o rei da Madeira, terá mesmo comentado: "Alberto, eu sei que por aí não há corrupção nenhuma, mas vê lá se ouves alguma coisa de estranho, para isto não incendiar, sem nós darmos por isso". Este, pousando o charuto, terá respondido, irritado, que não estava a perceber nada, que essas filhadaputices só aconteciam com os cubanos e que lhe deixasse acabar o almoço com o administrador da multinacional hoteleira, desligando à bruta. Este gesto terá descansado o jovem laranja que foi a correr dar as boas notícias a um céptico D.Barroso.
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Parece que o governo está um pouco embaraçado com o envolvimento de membros do psd e o escândalo do apito.
"Pareciam tão boas pessoas, tão amigos da família, e das casas (mesmo antes de serem construídas...)", não mencionando que estavam sempre prontos para falar com gente da bola....", terá dito o Secretário de Estado da Ingenuidade. Em telefonema para o rei da Madeira, terá mesmo comentado: "Alberto, eu sei que por aí não há corrupção nenhuma, mas vê lá se ouves alguma coisa de estranho, para isto não incendiar, sem nós darmos por isso". Este, pousando o charuto, terá respondido, irritado, que não estava a perceber nada, que essas filhadaputices só aconteciam com os cubanos e que lhe deixasse acabar o almoço com o administrador da multinacional hoteleira, desligando à bruta. Este gesto terá descansado o jovem laranja que foi a correr dar as boas notícias a um céptico D.Barroso.
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PARTY PARA PIANO E VIOLINO
Amanhã lá estarei, com os bilhetinhos na mão, à porta do Grande Auditório do CCB. A festa da música começa hoje e prolonga-se pelos próximos dois dias (julgo que em Viseu já houve concertos...).
Há 3 semanas atrás, quando me meti na fila das bilheteiras, já tinham sido vendidos mais de 30000 dos 50000 lugares disponíveis.
Uma grande multidão que perceberá pouco dos compositores que escutará, que nunca será levada a sério pelas nossas cabecinhas pensantes. Mas que estará lá, pelo prazer de ouvir uma grande orquestra a interpretar peças compostas há mais de 100 anos.
Crime de lesa-magestade, eu sei.
Amanhã lá estarei, com os bilhetinhos na mão, à porta do Grande Auditório do CCB. A festa da música começa hoje e prolonga-se pelos próximos dois dias (julgo que em Viseu já houve concertos...).
Há 3 semanas atrás, quando me meti na fila das bilheteiras, já tinham sido vendidos mais de 30000 dos 50000 lugares disponíveis.
Uma grande multidão que perceberá pouco dos compositores que escutará, que nunca será levada a sério pelas nossas cabecinhas pensantes. Mas que estará lá, pelo prazer de ouvir uma grande orquestra a interpretar peças compostas há mais de 100 anos.
Crime de lesa-magestade, eu sei.
22 de abril de 2004
CIGANOS HI-TECH
Fui o último a saber: os ciganos e o seu comércio de pano no chão chegaram ao mundo do cinema. Ia eu a passar por uma rua de Lisboa quando olho para o que estavam a vender 3 ciganos. Estranhei serem dvs, mas julguei tratar-se de uma série de animações a imitar o Rei Leão ou coisa que o valesse. Caíram-me os olhos ao chão (o que sendo uma porcaria, ainda assim não é do pior que me aconteceu nesse dia) ao ver o ELEPHANT do Gus Van Sant, o épico gore do Mel Gibson e uma série de coisas que continuam a correr em sala, ou ainda não chegaram ao mercado de dvd.
Era a pirataria a 5 euros.
Não vou dizer se pactuei. Apenas que o som é fraquito e que aborrece um cadinho ver as cabeças dos estúpidos que SE LEVANTAM CEDO DE MAIS, ainda os créditos não tinham acabado de passar. Se tivesse comprado algum, também poderia dizer que as legendas (assinadas por um misterioso "Careca") em brasileiro, não são assim muito más.
Aparentemente, os frequentadores da feira do Relógio já estavam "carecas" de conhecer estas cópias piratas.
Uma mensagem de solidariedade para os accionistas dos grandes estúdios de Hollywood que vão receber uns milhões de dólares a menos nas vendas...
Fui o último a saber: os ciganos e o seu comércio de pano no chão chegaram ao mundo do cinema. Ia eu a passar por uma rua de Lisboa quando olho para o que estavam a vender 3 ciganos. Estranhei serem dvs, mas julguei tratar-se de uma série de animações a imitar o Rei Leão ou coisa que o valesse. Caíram-me os olhos ao chão (o que sendo uma porcaria, ainda assim não é do pior que me aconteceu nesse dia) ao ver o ELEPHANT do Gus Van Sant, o épico gore do Mel Gibson e uma série de coisas que continuam a correr em sala, ou ainda não chegaram ao mercado de dvd.
Era a pirataria a 5 euros.
Não vou dizer se pactuei. Apenas que o som é fraquito e que aborrece um cadinho ver as cabeças dos estúpidos que SE LEVANTAM CEDO DE MAIS, ainda os créditos não tinham acabado de passar. Se tivesse comprado algum, também poderia dizer que as legendas (assinadas por um misterioso "Careca") em brasileiro, não são assim muito más.
Aparentemente, os frequentadores da feira do Relógio já estavam "carecas" de conhecer estas cópias piratas.
Uma mensagem de solidariedade para os accionistas dos grandes estúdios de Hollywood que vão receber uns milhões de dólares a menos nas vendas...
AINDA O MAJOR E CALO-ME JÁ
Agora a sério, acho mesmo que as coisas estão a mudar na Justiça portuguesa. Deve ser obra dessa mulher inteligentíssima que é a C. Cardona.
Bastaria ver as imagens obtidas pela SIC da primeira chegada ao local dos interrogatório do referido dirigente e dos seus muchachos para ver o que se pode esperar deste processo. O agente da PJ que o acompanhava do lado direito, ia-se desfazendo em sorrisos e dava-lhe palmadinhas no ombro, enquanto ele cumprimentava as multidões distantes e ia disbruindo, helàs, bacalhaus pelos agentes da psp que guardavam as instalações. Um destes últimos, de sorriso rasgado pela honra, não se coibiu de coçar os tomates diante de milhões de espectadores.
Foi um momento bonito e digno da ocasião...
Agora a sério, acho mesmo que as coisas estão a mudar na Justiça portuguesa. Deve ser obra dessa mulher inteligentíssima que é a C. Cardona.
Bastaria ver as imagens obtidas pela SIC da primeira chegada ao local dos interrogatório do referido dirigente e dos seus muchachos para ver o que se pode esperar deste processo. O agente da PJ que o acompanhava do lado direito, ia-se desfazendo em sorrisos e dava-lhe palmadinhas no ombro, enquanto ele cumprimentava as multidões distantes e ia disbruindo, helàs, bacalhaus pelos agentes da psp que guardavam as instalações. Um destes últimos, de sorriso rasgado pela honra, não se coibiu de coçar os tomates diante de milhões de espectadores.
Foi um momento bonito e digno da ocasião...
21 de abril de 2004
CORRUPTO, MOI...?
Estou de novo indignado. Então agora desconfia-se do futebol? Que ele há negociatas com a arbitragem? Donos de clubes e de câmaras municipais? Não pode ser! E logo virem com nomes de gente que se vê logo que é de uma honestidade a toda a prova, como o Nosso Major?!
Oh, valha-me Deus... Qualquer dia ainda dizem que Nossa Senhora não apareceu aos pastorinhos e que foi tudo uma negociata da Madre Igreja...!
E com o Euro à porta... Ao menos que se fingisse que não se passava nada, que é uma coisa a que já estamos habituados...; que faz parte da maneira de estar do vulgar português...
Oh, valha-me o Altíssimo...!
Estou de novo indignado. Então agora desconfia-se do futebol? Que ele há negociatas com a arbitragem? Donos de clubes e de câmaras municipais? Não pode ser! E logo virem com nomes de gente que se vê logo que é de uma honestidade a toda a prova, como o Nosso Major?!
Oh, valha-me Deus... Qualquer dia ainda dizem que Nossa Senhora não apareceu aos pastorinhos e que foi tudo uma negociata da Madre Igreja...!
E com o Euro à porta... Ao menos que se fingisse que não se passava nada, que é uma coisa a que já estamos habituados...; que faz parte da maneira de estar do vulgar português...
Oh, valha-me o Altíssimo...!
SERGIO
Já perdi a conta aos discos (vinis, cds...) que comprei do Sérgio Godinho, desde a minha adolescência. Por razões andarilhas ou sentimentais vou perdendo os discos e sou forçado a comprar tudo de novo.
A compilação que saiu agora, dedicada ao período 1971-1986 é, para mim, a melhor que já saiu. Por um lado, pela selecção (estão lá todos os clássicos que nos enchem a nós e que devem deixar o cantor chateado por ter de os cantar e re-cantar,lol). Por outro, a bela qualidade do som.
Poderá ser uma coisa geracional, mas o Sérgio é de facto o nosso Trovador. O que melhor cantou as pequenas coisas de que se fazem as vidas.
Eu, por mim, hei-de ser velhinho e ainda trautear com voz de chinelo "Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida..."
Já perdi a conta aos discos (vinis, cds...) que comprei do Sérgio Godinho, desde a minha adolescência. Por razões andarilhas ou sentimentais vou perdendo os discos e sou forçado a comprar tudo de novo.
A compilação que saiu agora, dedicada ao período 1971-1986 é, para mim, a melhor que já saiu. Por um lado, pela selecção (estão lá todos os clássicos que nos enchem a nós e que devem deixar o cantor chateado por ter de os cantar e re-cantar,lol). Por outro, a bela qualidade do som.
Poderá ser uma coisa geracional, mas o Sérgio é de facto o nosso Trovador. O que melhor cantou as pequenas coisas de que se fazem as vidas.
Eu, por mim, hei-de ser velhinho e ainda trautear com voz de chinelo "Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida..."
19 de abril de 2004
18 de abril de 2004
IO NO HO PAURA
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Apanhei um susto violento, ao ler o livro de Niccolò Ammanti . Agora voltei a assustar-me, ao ver o filme de Gabriele Salvatores (autor do belo "Mediterrâneo", em 1991). "Não tenho medo" é um filme poderoso. Poderoso para nós, pelo menos, mediterrânicos sem mar interior. Tal como "Respiro", que passou há uns tempos entre nós, também aqui, o interior italiano, com as suas searas, o calor intenso e os mistérios vulgares que transpiram dos corpos das pessoas falam connosco.
Se não fosse pela última cena, lamechas e desnecessária, diria estarmos perante um dos melhores filmes deste ano. Assim, repito apenas que é um filme a ver.
Antes, sugiro que visitem o maravilhoso site.
ps: para os mais desconfiados só adianto que a Katleen Gomes detestou... Para bom entendedor...
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Apanhei um susto violento, ao ler o livro de Niccolò Ammanti . Agora voltei a assustar-me, ao ver o filme de Gabriele Salvatores (autor do belo "Mediterrâneo", em 1991). "Não tenho medo" é um filme poderoso. Poderoso para nós, pelo menos, mediterrânicos sem mar interior. Tal como "Respiro", que passou há uns tempos entre nós, também aqui, o interior italiano, com as suas searas, o calor intenso e os mistérios vulgares que transpiram dos corpos das pessoas falam connosco.
Se não fosse pela última cena, lamechas e desnecessária, diria estarmos perante um dos melhores filmes deste ano. Assim, repito apenas que é um filme a ver.
Antes, sugiro que visitem o maravilhoso site.
ps: para os mais desconfiados só adianto que a Katleen Gomes detestou... Para bom entendedor...
OPEN 2
Uma das características deste torneio é levar-nos sempre à interrogação se não haverá uma fábrica de clones perto do Jamor. É que 90% dos espectadores são Betos, Tiazorras e meninas de cabelinho louro, cigarro e malinha-de-sabe-deus na mãozinha tratada. Sob esse ponto de vista, é horrível. Uma espécie de sonho Santanal (ou pesadelo Louçãnal, conforme o ponto de vista...).
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A Tabaqueira também esteve de parabéns. Não só os meninos da organização permitiam que se fumasse dentro das "navettes" apertadas que faziam o percurso até às bilheteiras, como eles próprios davam o exemplo, fumando sentados nas bancadas. Alguns dos mais velhos fumavam charuto, o que era óptimo para os não-fumadores que estavam sentados ao lado, atrás e à frente. Parabéns à organização por esta prova de tolerância.
Uma das características deste torneio é levar-nos sempre à interrogação se não haverá uma fábrica de clones perto do Jamor. É que 90% dos espectadores são Betos, Tiazorras e meninas de cabelinho louro, cigarro e malinha-de-sabe-deus na mãozinha tratada. Sob esse ponto de vista, é horrível. Uma espécie de sonho Santanal (ou pesadelo Louçãnal, conforme o ponto de vista...).
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A Tabaqueira também esteve de parabéns. Não só os meninos da organização permitiam que se fumasse dentro das "navettes" apertadas que faziam o percurso até às bilheteiras, como eles próprios davam o exemplo, fumando sentados nas bancadas. Alguns dos mais velhos fumavam charuto, o que era óptimo para os não-fumadores que estavam sentados ao lado, atrás e à frente. Parabéns à organização por esta prova de tolerância.
OPEN 1
Contra todas as expectativas (as minhas, pelo menos) o argentino Chela (o "Chelas" na gritaria do público mais entusiasta), ganhou a um dos primeiros jogadores do ranking mundial, o russo Safin (levou quase duas horas e meia, é certo...). Este último, apesar de melhorar na fase final da partida, falhou bolas que... até EU acertaria... Enfim.
Foram 30 euros que se dão uma vez por ano...
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Contra todas as expectativas (as minhas, pelo menos) o argentino Chela (o "Chelas" na gritaria do público mais entusiasta), ganhou a um dos primeiros jogadores do ranking mundial, o russo Safin (levou quase duas horas e meia, é certo...). Este último, apesar de melhorar na fase final da partida, falhou bolas que... até EU acertaria... Enfim.
Foram 30 euros que se dão uma vez por ano...
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14 de abril de 2004
AINDA RESTA O CÉU
A blogosfera anda deprimida. Vai desistindo de dizer. Restam os resistentes e as formiguinhas artísticas, os jovens artistas de circo que não percebem por que não hão-de logo fazer dois ou três blogues de uma vez, já que isto não custa nada.
Está como o resto de Portugal, os que pensam custam a encontrar coisas boas para dizer, tal a confusão gerada pelo reino da estupidez, do oportunismo e do endividamento (que já vem lá muito de trás, mas isso é conversa para outro dia).
Os que não pensam, bebem shots, fazem praxes a caloiros enquanto chumbam ou entram para a RTP e apresentam os programas da tarde ou da manhã.
Tudo isto me parece ser verdade. Mas gostaria de partilhar um segredo de praia... Mesmo quando se está enrolado pela onda, nas marés vivas, se tivermos calma e confiança em nós acabaremos por ir dar à praia e respirar de novo. E mais, se por acaso olhássemos para cima, através da água revolta, tenho quase a certeza de que conseguiríamos divisar o céu...
Até à praia, companheiros ;)
A blogosfera anda deprimida. Vai desistindo de dizer. Restam os resistentes e as formiguinhas artísticas, os jovens artistas de circo que não percebem por que não hão-de logo fazer dois ou três blogues de uma vez, já que isto não custa nada.
Está como o resto de Portugal, os que pensam custam a encontrar coisas boas para dizer, tal a confusão gerada pelo reino da estupidez, do oportunismo e do endividamento (que já vem lá muito de trás, mas isso é conversa para outro dia).
Os que não pensam, bebem shots, fazem praxes a caloiros enquanto chumbam ou entram para a RTP e apresentam os programas da tarde ou da manhã.
Tudo isto me parece ser verdade. Mas gostaria de partilhar um segredo de praia... Mesmo quando se está enrolado pela onda, nas marés vivas, se tivermos calma e confiança em nós acabaremos por ir dar à praia e respirar de novo. E mais, se por acaso olhássemos para cima, através da água revolta, tenho quase a certeza de que conseguiríamos divisar o céu...
Até à praia, companheiros ;)
13 de abril de 2004
O MEU PAÍS
Juro que julgava que já tivesse desaparecido. Mas não, o pipiblogue ainda lá está. Hoje o tema era muito diferente, passo a citar um breve excerto: "Ontem, caí no erro de esbodegar tranca saloia virado para um espelho. Erro porque, a berlaitadas tantas, em vez de olhar para as minhas caretas, vislumbrei a minha parceira.". O que parecia ser um exercício de escrita vernácula afinal não passa mesmo de uma patologia. Doença aliás bastamente acompanhada, já que, só no post acima citado, se podiam ler 1733 comentários.
Julgava que já tinha desaparecido. Parece que não.....
..... E que o Fernando Rocha ainda anda por aí. E que o Nélio continua a fazer de Herman aos domingos à noite.
Arreai hoje de novo, o esplendor de Portugal...
Juro que julgava que já tivesse desaparecido. Mas não, o pipiblogue ainda lá está. Hoje o tema era muito diferente, passo a citar um breve excerto: "Ontem, caí no erro de esbodegar tranca saloia virado para um espelho. Erro porque, a berlaitadas tantas, em vez de olhar para as minhas caretas, vislumbrei a minha parceira.". O que parecia ser um exercício de escrita vernácula afinal não passa mesmo de uma patologia. Doença aliás bastamente acompanhada, já que, só no post acima citado, se podiam ler 1733 comentários.
Julgava que já tinha desaparecido. Parece que não.....
..... E que o Fernando Rocha ainda anda por aí. E que o Nélio continua a fazer de Herman aos domingos à noite.
Arreai hoje de novo, o esplendor de Portugal...
LIVRO DE CABECEIRA
No meio da minha fúria oitocentista (leia-se, investigar o século XIX para tentar perceber o que diabo está a acontecer ao Portugal do início do XXI) tenho à cabeceira da cama, as cartas de Isabel, Condessa de Rio Maior, aos filhos, reunida e devidamente apresentada por Maria Filomena Mónica. Todas as noites mergulho nas (múltiplas) preocupações da senhora. Que, por sinal, vão desde os exames que o filho tem de fazer na Universidade de Coimbra, às pastilhas para a tosse e à forma como se conduzem os políticos que não passam para a maioria de nós de nomes de ruas e liceus. Observar de perto o universo desta mulher que sabia mais do que a maioria dos que rodeavam e que só levanta os pés da terra nos seus exageros de progenitora, ajudam-me a reconstituir o puzzle.
No meio da minha fúria oitocentista (leia-se, investigar o século XIX para tentar perceber o que diabo está a acontecer ao Portugal do início do XXI) tenho à cabeceira da cama, as cartas de Isabel, Condessa de Rio Maior, aos filhos, reunida e devidamente apresentada por Maria Filomena Mónica. Todas as noites mergulho nas (múltiplas) preocupações da senhora. Que, por sinal, vão desde os exames que o filho tem de fazer na Universidade de Coimbra, às pastilhas para a tosse e à forma como se conduzem os políticos que não passam para a maioria de nós de nomes de ruas e liceus. Observar de perto o universo desta mulher que sabia mais do que a maioria dos que rodeavam e que só levanta os pés da terra nos seus exageros de progenitora, ajudam-me a reconstituir o puzzle.
BEM-HAJA A LUCIDEZ!
Só agora me chegou (via e-mail) o artigo publicado pelo meu amigo Pedro Mexia, na Grande Reportagem de 6 de Abril. Debruçou-se sobre o Curso de Direito. E, como é seu hábito, disse com as letras todas o que todos os letrados dizem à boca pequena.
" Pois bem: trata-se da mais inconcebível, árida, macilenta e desprezível
das criações humanas. Reparem que nem sequer me
refiro ao Direito propriamente dito: sobre essa
matéria a conivência dos juristas com tiranias sortidas e as obras completas do Kafka chegam e sobram. Quero agora evocar apenas o curso, aqules
cinco penosos anos de colónia penal. Convém aliás explicar que o curso de Direito tem cinco anos não por exigências curriculares mas como forma de homenagem aos planos quinquenais soviéticos. A lógica de opressão, de dirigismo e de extermínio é
a mesmíssima. Não vou agora aqui sumariar a minha experiência estudantil, a qual, aliás, foi aprazível a princípio e se tornou depois indiferente. Mas recordo-me bem do momento de viragem. Em pleno terceiro ano, o meu descontentamento veio ao de cima violentamente, como um almoço mal digerido. Estava
numa aula de Direitos Reais. Estava aborrecido. Estava com sono. Escrevinhava coisas num caderno. E em cima do estrado, o monocórdico mestre dissertava
sobre a «servidão de estilicídio»..." et caetera et caetera
Não fosse isto um país de idiotas, em que os governantes andam tão preocupados em usar as mesmas peúgas que os seus antecessores e em não modificar nada que possa fazer perder as próximas eleições e abordagens simples e directas como esta teriam consequências.
Assim... é o que é.
Só agora me chegou (via e-mail) o artigo publicado pelo meu amigo Pedro Mexia, na Grande Reportagem de 6 de Abril. Debruçou-se sobre o Curso de Direito. E, como é seu hábito, disse com as letras todas o que todos os letrados dizem à boca pequena.
" Pois bem: trata-se da mais inconcebível, árida, macilenta e desprezível
das criações humanas. Reparem que nem sequer me
refiro ao Direito propriamente dito: sobre essa
matéria a conivência dos juristas com tiranias sortidas e as obras completas do Kafka chegam e sobram. Quero agora evocar apenas o curso, aqules
cinco penosos anos de colónia penal. Convém aliás explicar que o curso de Direito tem cinco anos não por exigências curriculares mas como forma de homenagem aos planos quinquenais soviéticos. A lógica de opressão, de dirigismo e de extermínio é
a mesmíssima. Não vou agora aqui sumariar a minha experiência estudantil, a qual, aliás, foi aprazível a princípio e se tornou depois indiferente. Mas recordo-me bem do momento de viragem. Em pleno terceiro ano, o meu descontentamento veio ao de cima violentamente, como um almoço mal digerido. Estava
numa aula de Direitos Reais. Estava aborrecido. Estava com sono. Escrevinhava coisas num caderno. E em cima do estrado, o monocórdico mestre dissertava
sobre a «servidão de estilicídio»..." et caetera et caetera
Não fosse isto um país de idiotas, em que os governantes andam tão preocupados em usar as mesmas peúgas que os seus antecessores e em não modificar nada que possa fazer perder as próximas eleições e abordagens simples e directas como esta teriam consequências.
Assim... é o que é.
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